Altair Hoppe >> Magreza exagerada não é culpa do Photoshop

No final de 2009, um anúncio da Ralph Lauren (imagem acima) pôs ainda mais combustível nas discussões sobre o uso abusivo do Photoshop. Veja que a modelo está superesquelética, muito, mas muito além dos já exagerados padrões de beleza exibidos em passarelas ou em anúncios. Neste caso, a manipulação chega a níveis de aberração. Observe que há uma desproporção enorme entre o tamanho do corpo (cintura, braços e pernas) e da cabeça da modelo.

Você deve estar se perguntando, mas quem é a Ralph Lauren? Com certeza, você já viu ou vestiu uma das peças desta gigante da moda. Seu produto mais conhecido talvez seja a clássica camisa pólo. A empresa é proprietária de marcas como POLO, CHAPS, LAUREN e Club MONACO, possuindo 390 lojas próprias (286 nos Estados Unidos e mais 104 espalhadas por 31 países), além de ter seus produtos vendidos em grandes lojas de departamentos e multimarcas ao redor do mundo, empregando 14 mil funcionários. Segundo a consultoria britânica InterBrand, somente a marca POLO RALPH LAUREN está avaliada em US$ 3.04 bilhões, ocupando a posição de número 99 no ranking das marcas mais valiosas do mundo. Por isso mesmo que o anúncio gerou tanta polêmica.

E aqui vale uma análise. Sempre que ocorre esse tipo de caso o senso comum diz que a culpa é do Photoshop. E isso não é verdade! Nenhuma manipulação é culpa ou mérito do Photoshop. O fato do Photoshop permitir a execução de retoques não significa que ele é o responsável. Se não existisse o Photoshop, com certeza, diretores de arte, imagemakers, produtores, editores de imagens e manipuladores buscariam outros mecanismos para compor as imagens e manipular. A intenção de estabelecer determinada estética é uma decisão puramente nossa, humana. O Photoshop é apenas uma ferramenta facilitadora do processo, mas somos nós que estabelecemos o limite da sua aplicação. O mesmo vale para manipulações e suavizações de pele e formas do corpo em revistas femininas ou masculinas como Playboy, Sexy, NOVA, Claudia, entre outras.

De curiosidade entrei no site da Ralph Lauren (http://www.ralphlauren.com/) para dar uma olhada mais aprofundada, e gostei do que vi. Ao contrário deste anúncio, vi modelos lindas, belas fotos e um conceito de beleza plausível. Acredito que foi um caso isolado, mas fica a lição para a empresa, que enfrentou uma enxurrada de críticas negativas ao redor do mundo ao apregoar um modelo de beleza esquelético, que beira o doentio. Posteriormente, a empresa admitiu o uso do Photoshop para deformar a modelo. A matéria foi publicada no portal G1, da Globo.com. Sendo assim, cada vez que manipulamos uma imagem devemos ter consciência da nossa responsabilidade social e sobre a imagem da nossa empresa ou do nosso cliente que assina o anúncio, peça publicitária ou imagem. Portanto, cuidado ao usar o filtro Liquify (Dissolver)!

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