Altair Hoppe >> Crédito no uso do Photoshop

Durante um bate papo com o mestre dos retratos Luiz Garrido, ele levantou um questionamento sobre o uso do Photoshop em massa em fotografias e a alteração do conceito do que é realidade… ele citou um caso que está acontecendo na Europa, especificamente na França, onde um projeto de lei quer exigir rótulos de alerta quando as fotos são retocadas no Photoshop, tanto no conteúdo editorial de revistas e jornais, como também em anúncios publicitários. Os infratores, segundo a lei, terão que pagar mutlas que variam de 37,5 mil, a US$ 55 mil.

O principal motivo da lei, é claro, é a preocupação com a massificação desse tipo de estética construída via Photoshop e a influência disso na sociedade, leia-se, mulheres. Segundo os autores esse tipo de conceito acaba pressionando o mundo feminino a atingir o conceito estampado em capas de revista através de lipoaspiração, intervenções no nariz, boca, olhos, sobrancelhas, seios, bumbum e mais um milhão de cremes para a pele ou maquiagem para esconder manchas, cicatrizes, etc.

No Brasil ainda não chegamos nessa discussão, mas o futuro nos aguarda. Por enquanto, apenas no meio publicitário se discute a co-autoria em imagens entre fotógrafos e manipuladores. Aproveitando o gancho para ver da lei francesa, o que você acha da imagem abaixo da Madonna? O que é melhor ou vende mais: a realidade ou um conceito abstrato? Perguntas pra pensar: a indústria da moda, beleza e publicidade vive sem o Photoshop? Ou, o consumidor compraria revistas ou produtos sem qualquer interferência do Photoshop, ou seja, a realidade nua e crua. Vale a pena refletir.

Madonna sem e com o uso do Photoshop

13 Respostas to “Altair Hoppe >> Crédito no uso do Photoshop”

  1. Fiquei sabendo desse evento ocorrido na França (parece-me que foi em outubro ou final de setembro). Até certo ponto, concordo com o consenso de se evitar o uso abusivo de Photoshop nas fotos das revistas, que de fato acabam vendendo uma imagem sureal para o público consumidor da mídia. Por muitas vezes tive a oportunidade de esbarrar-me com artistas das “telinha”, homens e mulheres, e te digo, especialmente na fração feminina, vê-las sem maquiagem de estúdio e do efeito da edição digital, em alguns casos “dá medo”, e nas situações menos graves, percebemos o quanto são iguais (ou piores) em relação a aparência do público comum, aquele que transita pelas calçadas das ruas dos grandes centros.

    Há de se ter sim, consciência e responsabilidade profissional no que tange a edição de uma imagem, e evitar permitir-se ao contágio de fazer um trabalho que mais tarde possam vir a influenciar negativamente até aos nossos filhos, já que o público adulto (mulheres principalmente) já se espelha em imagens que não passam de uma lenda visual.

    • Altair Hoppe Says:

      Grande Marcos, o caminho é por aí mesmo… cada profissional deve saber o limite da manipulação do seu segmento indiferente de existir uma lei específica ou não. Tudo é uma questão de bom senso e responsabilidade com a informação contida em cada imagem, e como ela afeta o modo de agir e se comportar do público-alvo ou da própria sociedade.

  2. muito interesante ainda mais para o Brasil, o pais das plasticas, o conceito de beleza e algo muito perigoso para as adolescentes, do lado editorial logico que nao vive sem photoshop e a foto do lado direito ganharia comcerteza e o mais apropiado, sera que precisar realamente em cada anuncio,revista, colocar esta foto foi alterada, nos temos que ja saber que sim logico que foi, acho mais interessante e tocar nesses assuntos em escolas, apartir da 5 serie e mostrar algo assim e ensinar que as fotos que vemos nao e realidade mas sim um ideal, idea abstrato usada para vendas.

  3. No meu ver novamente as leis estão tirando a responsabiliade da maioria e colocando na minoria, é mas fácil fazer leis para fotografos e manupuladores do que fazer leis para cirurgiões plásticos e colocar normas nas intervenções estéticas em mulheres e homens irresponsáveis que a qualquer custo tentão ter uma aparência que nunca atingiram.
    Será que teremos que no futuro teremos que colocar nossos albuns e poster a frases “Essa imagens forão manupuladas”, tomara que não chega nessas proporções. (Mas como fala meu pai – Jonnes David – Fotografia nem profissão é, tudo pode acontecer).

  4. Na real o que move os mercados – inclusive o de moda – é o dinheiro, os anunciantes querem o maior retorno possível para seus investimentos (até aí normal),mesmo que tenham de enganar e manipular para isso – o que deve ser veementemente combatido. Tem creme para tratamento de ruga usando photoshop pesado para alavancagem de venda!.è propaganda enganosa,anti-ético e imoral. Os limites deveriam ser impostos pelo mercado,mas se não houver um maior por parte dos veículos de comunicação os excessos vão continuar a acontecer – comprometendo a reputação dos veículos,inclusive. Os fotógrafos têm sua fatia de responsabilidade ao compactuar com esse tipo de ação (até para apresentar trabalhos de maior impacto visual – nem que seja à custa de software….ou seja:o bom é o programa de edição) e ajudando a levar adiante situações vexatórias,como publicar modelo sem umbigo (mexe tanto na imagem que na hora de dar a saída,alguma coisa sempre sai errado).

  5. Com ou sem lei é indiferente; como já mencionado, leis assim só atingem a minoria. Cirurgiões plásticos, clínicas de estética e fabricantes de cremes e ‘poções’ milagrosas continuarão existindo e faturando milhões, pela simples razão de que a falsidade é a ‘virtude’ da moda, ser verdadeiro é perigoso e prejudica a imagem. A falsidade é ensinada dentro de casa, pela televisão, no ambiente de trabalho e nas relações sociais. Não importa o que você é, importa o que vc aparenta ser. Não cabe frases como a de Arthur da Távola: ‘Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar’. No caso em questão, como agradar sem Photoshop? Se até mesmos as jovens beldades possuem defeitos, carentes de um ‘tapinha’ no Psp? Imagine, então, as que se aproximam ou já passaram dos 40, sem uma edição pesada é simplesmente inviável. Como já foi dito, dá medo…

    P.s.: por essas e por outras que nos últimos dois anos minha fotografia tem sido 95% de natureza (principalmente pássaros). Não existe nada mais autêntico e verdadeiro.

    • Altair Hoppe Says:

      Heber, é verdade… o mundo está com um padrão estético bem massificado, seja pelas cirurgias ou pela edição digital. Há casos, que até cabem, mas há outros que ocorre exageros. E sua opção pela fotografia de natureza é uma ótima alternativa para sair desse fluxo. Desejo de muito sucesso. Grande abraço!

  6. Balmukund Niljay Patel Says:

    O uso excessivo de photoshop nunca teve muito minha approvação. Certamente essa discussão chega na hora certa e vou levar ela para os meus alunos de fotografia de graduação e do curso de pós-graduação. Talvez seja bom de lembrar as pessoas que usar fotografia para fins documentação jurídica (no sentido registrar de situações antes e depois de cirurgias estéticas, uso odontológicos ou medicina forense é necessário que os imagens sejam em formato RAW!

    Obrigado pela sua contribuição, honestidade e sinceridade.

  7. Lucio Tarcia Barreto Says:

    Agradeceria muito se me mantivessem informado sobre qualquer assunto sobre fotografia. Obrigado

    • Altair Hoppe Says:

      Oi Lucio, manteremos vc informado das atualizações sim… aqui no blog publico novos artigos as terças e quintas… abraço e sucesso!

  8. Altair, meu mestre, essa discussão sobre Photoshop na fotografia publicitaria comeracial vai longe ainda, eu como publicitrio e produtor de fotografia publicitaria, de acordo com a exigencia de nosso mercado, não conseguimos viver sem o Photoshop, a final tecnologia eh feita para se usar, viver sem ela seria voltar ao passado, bom seria para os fotografos que precisariam ser mais preparados para executar trabalhos e deixa-los prontos no arquivo original, mas não eh isso que o mercado pede e consome, a vaidade brasileira eh imperativa, se eu não faço, os outros fazem o que o cliente esta pedindo. Ficamos num beco sem saida, ou atendemos as exigencias do cliente ou ficamos sem trabalho, pelo menos no nordeste eh assim. A comunicação globalizada acaba ditando as regras e a midia eh responsabilizada por essa venda desenfreada de ilusões. As imagens que aparecem nas midias, teem que sair bonitas, se não o produto não venda. Ja na midia jornalistica documental ahi eh diferente. numa noticia ou mesmo numa imagem testemunhal, essas sim, a meu ver não devem ser manipuladas a ponto de se perceber a diferença entre real e imagem ilusicionista.
    Meu e-mail: ed_aluizonunes@hotmail.com

    • Altair Hoppe Says:

      Ed, primeiro obrigado pelo comentário… nem sou tão mestre assim… sou um aprendiz esforçado! Mas fico faceiro com o elogio!!!! Voltando ao seu comentário, tens toda e completa razão. Não adianta exorcizar o Photoshop, há áreas e áreas na fotografia. O maior cuidado deve ser de fato na fotografia jornalística, documental ou de eventos. No caso da publicidade é consenso no meio e característica da edição o impacto estético sem tanto apego a realidade. É uma discussão, mas o que temos como fato atualmente é isso. É evidente que o objetivo de qualquer anunciante é convencer clientes dos efeitos dos produtos, aí fica na responsabilidade do leitor a atenção de ser seduzido ou não pelo apelo da imagem. Claro, que isso não é uma ciência exata, mas é o que há. Criar anúncios e peças publicitárias sem a ajuda do Photoshop, sem dúvida, seria uma tarefa complicada. O ideal é bom senso e está tudo certo.
      Um grande abraço e muito sucesso!

  9. adorarria chegar aos 50 como madonna chegou e isso de modificaçoes é besteira eses artistas tem que parar de querer vender bperfeiçao pois nimgem é perfeito

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